{"id":558,"date":"2024-08-23T16:22:52","date_gmt":"2024-08-23T19:22:52","guid":{"rendered":"https:\/\/dmbrstg.wpengine.com\/blog\/?p=558"},"modified":"2025-09-28T16:25:31","modified_gmt":"2025-09-28T19:25:31","slug":"a-importancia-da-calagem-em-sistemas-agricolas-tropicais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/a-importancia-da-calagem-em-sistemas-agricolas-tropicais\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia da calagem em sistemas agr\u00edcolas tropicais"},"content":{"rendered":"<h3><b>A import\u00e2ncia da calagem em sistemas agr\u00edcolas tropicais<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A corre\u00e7\u00e3o da acidez do solo por meio da calagem \u00e9 fundamental para melhorar a fertilidade (qu\u00edmica, f\u00edsica e biol\u00f3gica) do solo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso porque a acidez do solo \u00e9 um desafio significativo para a agricultura, especialmente em regi\u00f5es com solos naturalmente \u00e1cidos (pH em CaCl2 entre de 4,3 e 5,3), como o Cerrado brasileiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, a ado\u00e7\u00e3o da calagem tem como papel proporcionar melhores condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento das culturas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, vamos explorar em detalhes a import\u00e2ncia dessa pr\u00e1tica agr\u00edcola, seus benef\u00edcios e como ela deve ser realizada, por meio deste artigo desenvolvido por Jo\u00e3o William Bossolani, Engenheiro Agr\u00f4nomo e Dr. em Sistemas de Produ\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acompanhe.<\/span><\/p>\n<h3><b>Antes da calagem, entenda a acidez do solo\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A acidez do solo \u00e9 um dos principais fatores que limitam o desenvolvimento das culturas, reduzindo significativamente o potencial produtivo. Aproximadamente 50% das \u00e1reas agricult\u00e1veis no mundo apresentam problemas relacionados \u00e0 acidez do solo. E \u00e9 importante entender o que isso significa antes de falarmos sobre a calagem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A acidez do solo refere-se \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de \u00edons de hidrog\u00eanio (H\u207a) presentes na solu\u00e7\u00e3o do solo. Portanto, a intensidade da acidez em um solo \u00e9 expressa como pH do solo. O pH do solo \u00e9 comumente determinado ap\u00f3s equilibrar o solo com \u00e1gua destilada ou deionizada ou uma solu\u00e7\u00e3o salina, como o cloreto de c\u00e1lcio (CaCl2).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem diferentes tipos de acidez, mas as mais relevantes s\u00e3o:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><b>Acidez ativa<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Medida diretamente pelo pH<\/span><\/li>\n<li><b>Acidez potencial: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Representada por H+Al.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h3><b>Import\u00e2ncia do pH ideal<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fun\u00e7\u00e3o da calagem \u00e9 contribuir para o alcance do pH ideal do solo que, para a maioria das culturas, varia entre 5,5 e 6,0, se mensurado em CaCl2, ou entre 6,0 e 6,5, se mensurado em H2O.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa faixa de pH \u00e9 onde a disponibilidade de nutrientes no solo \u00e9 maximizada (ver a Figura 1). Um pH adequado \u00e9 crucial para a produtividade agr\u00edcola, mas um pH muito alto ou muito baixo pode prejudicar a disponibilidade de nutrientes e o desenvolvimento das plantas.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-893\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed-1-300x246.png\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"262\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Figura 1. Rela\u00e7\u00e3o entre a disponibilidade de nutrientes e pH do solo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Malavolta (1979).<\/span><\/p>\n<h3><b>Fatores que contribuem para a acidez do solo<\/b><\/h3>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Forma\u00e7\u00e3o natural dos solos \u00e1cidos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Os solos brasileiros, em grande parte, s\u00e3o naturalmente \u00e1cidos devido ao processo de forma\u00e7\u00e3o dos solos, ao clima tropical, com altas precipita\u00e7\u00f5es, e \u00e0 presen\u00e7a de materiais de origem pobre em minerais prim\u00e1rios e secund\u00e1rios. Esses fatores promovem a lixivia\u00e7\u00e3o de c\u00e1tions b\u00e1sicos (como Ca2+, Mg2+, K+) e o ac\u00famulo de c\u00e1tions \u00e1cidos, como H+ e Al3+.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\"><b>Pr\u00e1ticas agr\u00edcolas: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A acidez do solo tamb\u00e9m pode ser intensificada por pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, como o uso de fertilizantes amoniacais, e a eros\u00e3o do solo, que exp\u00f5e horizontes subsuperficiais mais \u00e1cidos. A absor\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o de c\u00e1tions b\u00e1sicos pelas plantas durante a colheita tamb\u00e9m contribuem para a acidifica\u00e7\u00e3o dos solos.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h3><b>Capacidade de troca de c\u00e1tions (CTC)<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro conceito chave para se entender sobre a acidez do solo e como a calagem \u00e9 importante \u00e9 o de Capacidade de Troca Cati\u00f4nica (CTC). A CTC do solo representa a capacidade do solo de reter e liberar c\u00e1tions como Ca\u00b2+, Mg\u00b2+, K+, H+ e Al\u00b3+, al\u00e9m dos micronutrientes cati\u00f4nicos, como o ferro (Fe2+), mangan\u00eas (Mn2+), cobre (Cu2+) e zinco (Zn2+).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Solos com alta CTC possuem maior fertilidade, pois conseguem reter mais nutrientes nos coloides do solo, devido a maior densidade de cargas negativas. A CTC \u00e9 especialmente importante em solos tropicais, que frequentemente possuem baixa capacidade de troca de c\u00e1tions, limitando a fertilidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em solos tropicais, existem duas formas de induzir a forma\u00e7\u00e3o de cargas negativas (CTC). Uma \u00e9 aumentando o teor de Mat\u00e9ria Org\u00e2nica do Solo (MOS). Aumentar o teor de MOS significa aumentar a capacidade de reten\u00e7\u00e3o de c\u00e1tions no solo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A outra forma \u00e9 aumentando o valor de pH. Essa segunda op\u00e7\u00e3o certamente pode ser obtida mais facilmente, visto que isso conseguimos com adi\u00e7\u00e3o de corretivos de acidez a um baixo custo e em curto a m\u00e9dio prazo.<\/span><\/p>\n<h3><b>Calagem: o que \u00e9 e como funciona<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A calagem consiste na aplica\u00e7\u00e3o de corretivos alcalinos, como calc\u00e1rio, por exemplo, para neutralizar a acidez do solo. Esse processo aumenta o pH do solo, reduzindo a acidez ativa e potencial e melhorando a disponibilidade de nutrientes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A calagem \u00e9 uma pr\u00e1tica essencial para a viabiliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, pois neutraliza a acidez do solo, aumenta a disponibilidade de nutrientes, al\u00e9m de fornecer Ca\u00b2\u207a e Mg\u00b2\u207a, e reduzir a toxidez por Al3+.<\/span><\/p>\n<h3><b>Benef\u00edcios da calagem<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A calagem oferece v\u00e1rios benef\u00edcios importantes:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Neutraliza\u00e7\u00e3o da toxidez do alum\u00ednio:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Alum\u00ednio em excesso \u00e9 t\u00f3xico para as plantas, prejudicando o crescimento radicular.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Aumento da CTC:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Melhora a capacidade do solo de reter nutrientes essenciais.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Redu\u00e7\u00e3o da lixivia\u00e7\u00e3o de nutrientes: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Diminui a perda de nutrientes para camadas mais profundas onde as ra\u00edzes n\u00e3o alcan\u00e7am.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Fornecimento de c\u00e1lcio e magn\u00e9sio: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Aumento da atividade microbiana:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Melhora a sa\u00fade do solo e a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h3><b>Tipos de corretivos de solo<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem diversos tipos de corretivos de solo dispon\u00edveis no mercado, cada um com caracter\u00edsticas espec\u00edficas:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Calc\u00e1rio:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Produto obtido pela moagem da rocha calc\u00e1ria, composto por carbonato de c\u00e1lcio (CaCO\u2083) e carbonato de magn\u00e9sio (MgCO\u2083). \u00c9 classificado em calc\u00edtico (baixo teor de Mg) ou dolom\u00edtico (alto teor de Mg). Quanto \u00e0 sua natureza geol\u00f3gica, o calc\u00e1rio pode ser classificado como sedimentar ou metam\u00f3rfico.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Cal virgem agr\u00edcola: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Obtida pela calcina\u00e7\u00e3o completa do calc\u00e1rio, composta por \u00f3xido de c\u00e1lcio (CaO) e \u00f3xido de magn\u00e9sio (MgO). Libera Ca\u00b2\u207a, Mg\u00b2\u207a e OH\u207b rapidamente, neutralizando a acidez do solo.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Cal hidratada agr\u00edcola<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Derivada da hidrata\u00e7\u00e3o da cal virgem, composta por hidr\u00f3xido de c\u00e1lcio (Ca(OH)\u2082) e hidr\u00f3xido de magn\u00e9sio (Mg(OH)\u2082). Sua a\u00e7\u00e3o neutralizante \u00e9 similar \u00e0 da cal virgem.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Calc\u00e1rio calcinado<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Resultado da calcina\u00e7\u00e3o parcial do calc\u00e1rio, composto por CaCO\u2083, MgCO\u2083, CaO, MgO, Ca(OH)\u2082 e Mg(OH)\u2082. Combina a a\u00e7\u00e3o neutralizante de bases fortes e fracas.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Silicato de Ca e Mg: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Subproduto da ind\u00fastria do ferro e a\u00e7o, composto por silicato de c\u00e1lcio (CaSiO\u2083) e silicato de magn\u00e9sio (MgSiO\u2083). Sua a\u00e7\u00e3o neutralizante \u00e9 mais eficiente que o carbonato.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Carbonato de c\u00e1lcio: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Obtido da moagem de margas, corais e sambaquis, com a\u00e7\u00e3o semelhante ao carbonato de c\u00e1lcio dos calc\u00e1rios.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h3><b>Qualidade do corretivo<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sucesso da calagem depende de tr\u00eas fatores principais: dosagem adequada, qualidade do corretivo e aplica\u00e7\u00e3o correta. A qualidade do corretivo \u00e9 medida pelo Poder Relativo de Neutraliza\u00e7\u00e3o Total (PRNT), que combina o poder de neutraliza\u00e7\u00e3o (PN) e a reatividade (RE) do corretivo.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Poder Relativo de Neutraliza\u00e7\u00e3o Total (PRNT): <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Combina o PN, que indica a capacidade potencial do corretivo em neutralizar a acidez do solo, e a RE, que mede a taxa de reatividade do corretivo em um per\u00edodo de 3 meses, considerando a granulometria.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Granulometria: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto mais fino o corretivo, maior o contato com o solo e mais r\u00e1pida sua a\u00e7\u00e3o. A boa mistura e incorpora\u00e7\u00e3o do corretivo ao solo s\u00e3o essenciais para uma aplica\u00e7\u00e3o eficiente.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h3><b>M\u00e9todos para estimar a necessidade de calagem<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os m\u00e9todos mais comuns para estimar a necessidade de calagem s\u00e3o baseados no pH da solu\u00e7\u00e3o tamp\u00e3o, teor de alum\u00ednio, c\u00e1lcio, magn\u00e9sio e satura\u00e7\u00e3o de bases. No Brasil, os m\u00e9todos mais utilizados incluem:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>M\u00e9todo SMP<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Utilizado no Sul do pa\u00eds, baseia-se no decr\u00e9scimo do pH de uma solu\u00e7\u00e3o tamp\u00e3o ap\u00f3s equil\u00edbrio com o solo. A necessidade de calagem \u00e9 estimada a partir do valor do pH SMP (tabela regional).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>M\u00e9todo da neutraliza\u00e7\u00e3o do Al e\/ou eleva\u00e7\u00e3o dos teores de c\u00e1lcio e magn\u00e9sio: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Baseado nos teores de alum\u00ednio, c\u00e1lcio e magn\u00e9sio extra\u00eddos com cloreto de pot\u00e1ssio (CaCl\u2082), garante doses maiores de calc\u00e1rio, especialmente em solos arenosos.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dose de calc\u00e1rio (t ha<\/span><b>&#8211;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">1<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) =<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Y \u00d7 [Al<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">3+<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 (m<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">tolerada<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00d7 CTC \/ 100)] + [X \u2013 (Ca<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">2+<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> + Mg<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">2+<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">)], em que:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">X = exig\u00eancia em c\u00e1lcio e magn\u00e9sio pela cultura (somat\u00f3ria de Ca + Mg);<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">mt = m\u00e1xima satura\u00e7\u00e3o por alum\u00ednio tolerada pela cultura;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Y = fator que varia com a capacidade tamp\u00e3o de acidez do solo podendo ser definido de acordo com a textura:<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<table dir=\"ltr\" style=\"height: 160px;\" border=\"1\" width=\"662\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" data-sheets-root=\"1\" data-sheets-baot=\"1\">\n<colgroup>\n<col width=\"163\" \/>\n<col width=\"131\" \/>\n<col width=\"169\" \/><\/colgroup>\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><strong>Cultura<\/strong><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\"><strong>mtonelada<\/strong><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\"><strong>X = (Ca + Mg)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Milho e sorgo<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\">15<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\">2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Soja<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\">20<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\">2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Cana-de-a\u00e7\u00facar<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\">30<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\">3,5<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Solos arenosos (0 a 15% de argila): Y = 0 a 1,0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Textura m\u00e9dia (16 a 35% de argila): Y = 1,0 a 2,0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Argilosos (36 a 60% de argila): Y = 2,0 a 3,0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Muito argilosos (61 a 100% de argila): Y = 3,0 a 4,0<br \/>\n<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>M\u00e9todo de satura\u00e7\u00e3o de bases<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Utilizado no estado de S\u00e3o Paulo, correlaciona pH e satura\u00e7\u00e3o de bases, requerendo a determina\u00e7\u00e3o de Ca, Mg, K e, em alguns casos, Na, al\u00e9m de H + Al.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dose de calc\u00e1rio\u00a0 (t ha<\/span><b>&#8211;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">1<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) = [(V2 &#8211; V1) \u00d7 CTC] \/ (PRNT \u00d7 10), em que:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">V2 = satura\u00e7\u00e3o por bases desejada (verificar a recomenda\u00e7\u00e3o para cada cultura);<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">V1 = satura\u00e7\u00e3o por bases atual (an\u00e1lise de solo em mmol<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> dm<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">-3<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">);<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">CTC = capacidade de troca cati\u00f4nica, em mmol<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> dm<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">-3 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">PRNT = poder relativo de neutraliza\u00e7\u00e3o total do calc\u00e1rio a ser aplicado.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h3><b>Diferentes tipos de solo e necessidade de calagem<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A recomenda\u00e7\u00e3o de doses de calc\u00e1rio deve considerar o tipo de solo, pois solos argilosos e com maior teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica possuem maior poder tamp\u00e3o e necessitam de mais corretivos em compara\u00e7\u00e3o aos solos arenosos, que requerem corre\u00e7\u00f5es mais frequentes devido \u00e0 menor CTC.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A aplica\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio deve ser feita pelo menos 3 meses antes do plantio, com \u00e1gua sendo essencial para a rea\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio no solo. O corretivo deve ser aplicado uniformemente e, dependendo do sistema de cultivo, incorporado ao solo para maior efic\u00e1cia.<\/span><\/p>\n<h3><b>Calagem em sistema de plantio direto (SPD)<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de iniciar o SPD, a acidez do solo deve ser completamente corrigida. No SPD, a aplica\u00e7\u00e3o superficial de calc\u00e1rio, sem incorpora\u00e7\u00e3o, \u00e9 pr\u00e1tica comum para manter as caracter\u00edsticas f\u00edsicas do solo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para maximizar a efici\u00eancia, recomenda-se a corre\u00e7\u00e3o pr\u00e9via das camadas mais profundas antes do estabelecimento do SPD, permitindo o enraizamento profundo das plantas. A calagem superficial \u00e9 influenciada por fatores como dose, granulometria do calc\u00e1rio, precipita\u00e7\u00e3o pluvial, manejo da aduba\u00e7\u00e3o, rota\u00e7\u00e3o de culturas e aporte de mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/span><\/p>\n<h3><b>Fatores que afetam a corre\u00e7\u00e3o da acidez em aplica\u00e7\u00f5es superficiais<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A movimenta\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio para camadas mais profundas depende de fatores como bioporos formados por ra\u00edzes, fendas no solo e atividade de microrganismos. A dissolu\u00e7\u00e3o dos carbonatos na presen\u00e7a de \u00e1gua e CO\u2082 forma pares i\u00f4nicos que s\u00e3o lixiviados para camadas mais profundas, reduzindo a acidez.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A incorpora\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e bioqu\u00edmica do calc\u00e1rio, promovida pela atividade microbiana, e a forma\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos org\u00e2nicos hidrossol\u00faveis tamb\u00e9m contribuem para a melhoria da fertilidade do subsolo.<\/span><\/p>\n<h3><b>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A calagem \u00e9 uma pr\u00e1tica agr\u00edcola essencial para a corre\u00e7\u00e3o da acidez e para a melhoria da fertilidade em solos \u00e1cidos. Essa t\u00e9cnica aumenta a disponibilidade de nutrientes, melhora a estrutura do solo e promove um crescimento saud\u00e1vel das plantas, resultando em maiores produtividades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Realizar uma an\u00e1lise de solo adequada e seguir as recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas s\u00e3o passos fundamentais para o sucesso dessas pr\u00e1ticas. Com a compreens\u00e3o adequada dos processos envolvidos na calagem, os produtores podem tomar decis\u00f5es assertivas para otimizar o manejo do solo e maximizar a efici\u00eancia das culturas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa pr\u00e1tica, al\u00e9m de ser custo-efetiva, traz benef\u00edcios duradouros, contribuindo para a sustentabilidade da agricultura e para a sa\u00fade do solo a longo prazo.<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MALAVOLTA, E. \u2013 ABC da Aduba\u00e7\u00e3o. Editora Agron\u00f4mica CERES Ltda. S\u00e3o Paulo (SP), 1979. 256 p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea tamb\u00e9m pode gostar deste conte\u00fados:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"\/o-que-e-o-vazio-sanitario-e-qual-e-o-seu-calendario-em-2024\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 vazio sanit\u00e1rio?<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"\/vigor-das-sementes-de-soja-e-as-novas-tecnologias-para-avaliacao\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Vigor das sementes de soja e as novas tecnologias para avalia\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia da calagem em sistemas agr\u00edcolas tropicais A corre\u00e7\u00e3o da acidez do solo por meio da calagem \u00e9 fundamental para melhorar a fertilidade (qu\u00edmica, f\u00edsica e biol\u00f3gica) do solo.\u00a0 Isso porque a acidez do solo \u00e9 um desafio significativo para a agricultura, especialmente em regi\u00f5es com solos naturalmente \u00e1cidos (pH em CaCl2 entre de<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":559,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-558","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manejo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/559"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}