{"id":610,"date":"2025-01-29T20:25:16","date_gmt":"2025-01-29T23:25:16","guid":{"rendered":"https:\/\/dmbrstg.wpengine.com\/blog\/?p=610"},"modified":"2025-09-29T20:53:32","modified_gmt":"2025-09-29T23:53:32","slug":"como-ocorre-a-ferrugem-asiatica-na-soja-veja-como-controlar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/como-ocorre-a-ferrugem-asiatica-na-soja-veja-como-controlar\/","title":{"rendered":"Como ocorre a ferrugem asi\u00e1tica na soja? Veja como controlar"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diagnosticada no Brasil em 2001, a ferrugem asi\u00e1tica, causada pelo fungo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Phakopsora pachyrhizi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 considerada a doen\u00e7a foliar mais importante da soja no pa\u00eds. De acordo com o <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\"><span style=\"font-weight: 400;\">Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o potencial de dano da doen\u00e7a varia entre 10% a 90% da produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o agr\u00f4nomo e mestre em fitopatologia, Lu\u00eds Henrique Carregal, apesar da ferrugem estar presente em todo o pa\u00eds, \u00e9 no Sul que atualmente ela gera mais preocupa\u00e7\u00f5es ao agricultor. \u201cNos dias de hoje, com o plantio sendo realizado cada vez mais cedo no Cerrado, a doen\u00e7a passou a ser mais importante na regi\u00e3o Sul\u201d, cita.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em adi\u00e7\u00e3o a isso, as \u00faltimas safras foram marcantes para produtores dessa regi\u00e3o, devido a fortes ocorr\u00eancias da doen\u00e7a. Entretanto, isso n\u00e3o significa que elas se limitem apenas \u00e0 regi\u00e3o Sul.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPensando na realidade atual do Cerrado, o cen\u00e1rio mais perigoso \u00e9 quando o agricultor faz um plantio mais tardio, pois quanto mais cedo se plantar, menor o in\u00f3culo do fungo ser\u00e1, devido ao extenso per\u00edodo de vazio sanit\u00e1rio que precede a semeadura da soja\u201d, menciona.<\/span><\/p>\n<h4><b>Como ocorre a infec\u00e7\u00e3o da ferrugem asi\u00e1tica?<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem dois tipos de fungos:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 Necrotr\u00f3ficos, que sobrevivem em restos culturais, como mat\u00e9ria org\u00e2nica no solo;<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2022 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Biotr\u00f3ficos, como no caso de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">P. pachyrhizi, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">que se desenvolvem exclusivamente em tecidos vivos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ou seja, para o fungo da ferrugem asi\u00e1tica sobreviver, \u00e9 necess\u00e1rio ter um hospedeiro vivo, como plantas volunt\u00e1rias de soja, comumente conhecidas como \u201cguaxas\u201d ou \u201ctigueras\u201d. Uma vez que o fungo parasita aquele hospedeiro, ele se dissemina atrav\u00e9s do vento, que transporta os esporos a grandes dist\u00e2ncias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando em contato com a superf\u00edcie da folha, o fungo precisa de condi\u00e7\u00f5es adequadas para dar in\u00edcio ao processo de infec\u00e7\u00e3o. \u201cEsse \u00e9 um esporo que necessita de muitas horas de molhamento foliar. Alguns estudos indicam cerca de 16 horas, enquanto outros apontam para mais de 24 horas, mas \u00e9 bem claro que eu preciso de per\u00edodos prolongados de chuva ou orvalho para a infec\u00e7\u00e3o ocorrer\u201d, afirma Carregal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da umidade, o fungo da ferrugem asi\u00e1tica tamb\u00e9m se beneficia de temperaturas amenas, por volta dos 20 a 24 graus. \u201cQuando essas condi\u00e7\u00f5es coincidem, esse esporo germina, penetra no tecido foliar e os coloniza, completando seu ciclo e produzindo novos esporos\u201d, explica. Esse ciclo tem dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 7 a 14 dias, a depender das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 importante para o agricultor entender que se trata de uma doen\u00e7a polic\u00edclica, ou seja, n\u00f3s temos v\u00e1rios ciclos do fungo dentro de um ciclo da cultura. Por isso ela \u00e9 t\u00e3o agressiva\u201d, pontua.<\/span><\/p>\n<h4><b>Potencial de dano da ferrugem asi\u00e1tica<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os preju\u00edzos que a doen\u00e7a traz \u00e0 lavoura podem variar, dependendo da fase em que o fungo infecta a planta e da intensidade dessa infec\u00e7\u00e3o. Entretanto, at\u00e9 mesmo mesmo em situa\u00e7\u00f5es brandas, a doen\u00e7a pode gerar preju\u00edzos relevantes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPara a atual realidade de regi\u00f5es do Cerrado, como o sudoeste goiano, quando temos ocorr\u00eancia de ferrugem, geralmente ela traz uma perda m\u00ednima de 20%. Pensando em uma produ\u00e7\u00e3o de 80 sacos por hectare, isso representa 16 sacos de preju\u00edzo. \u00c0s vezes, esse \u00e9 o lucro do agricultor\u201d, ressalta.<\/span><\/p>\n<h4><b>O papel do vazio sanit\u00e1rio no controle da ferrugem<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSe ainda temos soja sendo plantada no Brasil, \u00e9 por causa do vazio sanit\u00e1rio\u201d, atesta Carregal, ao explicar a import\u00e2ncia dessa medida para o controle da ferrugem asi\u00e1tica em territ\u00f3rio nacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O vazio sanit\u00e1rio da ferrugem nada mais \u00e9 do que o per\u00edodo cont\u00ednuo de 90 dias em que n\u00e3o se pode plantar \u2013 nem manter vivas \u2013 plantas de soja em qualquer fase de desenvolvimento. Dessa forma, anualmente, o Mapa estabelece o calend\u00e1rio de semeadura da cultura nas diferentes regi\u00f5es soj\u00edcolas do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSe o produtor fizer o vazio bem feito dentro da sua regi\u00e3o, ele consegue baixar o in\u00f3culo e produzir bem a soja\u201d, aponta. A l\u00f3gica \u00e9 simples: se h\u00e1 uma ponte verde, ou seja, um hospedeiro vivo para o fungo parasitar, ela precisa ser eliminada, pois ter o fungo na lavoura \u00e9 gerar um problema maior para o pr\u00f3prio produtor controlar depois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme o gerente de desenvolvimento da GDM Seeds na M5, Maicon Rosin, para minimizar o surgimento de plantas volunt\u00e1rias na lavoura, o agricultor deve se atentar \u00e0 regulagem da colheitadeira. \u201cQuanto mais sementes s\u00e3o jogadas no solo, mais plantas volunt\u00e1rias de soja teremos\u201d, acrescenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Junto a isso, deve haver um monitoramento dessas plantas que sobraram, seguido pelo controle \u2013 qu\u00edmico ou mec\u00e2nico \u2013 quando necess\u00e1rio. Em algumas regi\u00f5es do Brasil, a geada pode atuar como um controle natural.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"\/o-que-e-o-vazio-sanitario-e-qual-e-o-seu-calendario-em-2024\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Neste post sobre vazio sanit\u00e1rio no blog da DONMARIO<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, especialistas tamb\u00e9m compartilham mais detalhes sobre a import\u00e2ncia dessa medida para o controle da ferrugem asi\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n<h4><b>Outras medidas de manejo<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentro das medidas integradas de manejo da doen\u00e7a, o vazio sanit\u00e1rio se destaca como a principal. Entretanto, algumas outras tamb\u00e9m possuem import\u00e2ncia. \u00c9 o caso da escolha da \u00e9poca de semeadura, do controle qu\u00edmico por meio de fungicidas e do uso de cultivares resistentes \u00e0 doen\u00e7a:<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>\u2022 Escolha da \u00e9poca de semeadura: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuanto mais cedo o produtor plantar a soja dentro de sua regi\u00e3o, melhor. Unido a isso, variedades de ciclo curto auxiliam o agricultor, pois aumentamos a chance de trabalhar com o menor n\u00edvel de in\u00f3culo poss\u00edvel\u201d, aponta Carregal.<br \/>\n<\/span><b>\u2022 Controle qu\u00edmico atrav\u00e9s de fungicidas: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">P. pachyrhizi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> apresenta resist\u00eancia aos tr\u00eas principais grupos qu\u00edmicos utilizados: os triaz\u00f3is, as carboxamidas e as estrobilurinas. Dessa forma, a estrat\u00e9gia \u00e9 associar fungicidas multiss\u00edtios junto aos fungicidas tradicionais. \u201cNesse caso, a melhor recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es preventivas na lavoura\u201d, pontua.<br \/>\n<\/span><b>\u2022 Uso de cultivares resistentes \u00e0 ferrugem asi\u00e1tica:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u201cNum cen\u00e1rio em que o produtor tenha que atrasar uma aplica\u00e7\u00e3o de fungicida, seja por condi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ou problemas com maquin\u00e1rio, uma cultivar com resist\u00eancia traz uma toler\u00e2ncia muito maior \u00e0 doen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a materiais que n\u00e3o apresentem essa caracter\u00edstica\u201d, assinala o gerente de desenvolvimento da GDM Seeds na M1, Marcos Longaretti.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No portf\u00f3lio da DONMARIO, a principal variedade com esse perfil atualmente \u00e9 DM56I59RSF IPRO, adaptada, sobretudo, para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e regi\u00f5es frias do Paran\u00e1. Aliado a esse diferencial gen\u00e9tico, a cultivar tamb\u00e9m apresenta um alto teto produtivo e \u00f3tima estabilidade no campo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Saiba mais sobre <\/span><a href=\"https:\/\/www.donmario.com.br\/cultivares-sul\/#section-DM56I59\"><span style=\"font-weight: 400;\">as caracter\u00edsticas agron\u00f4micas, pontos fortes e pacote sanit\u00e1rio da DM56I59RSF IPRO.\u00a0<\/span><\/a><\/p>\n<h4><b>Contexto da ferrugem asi\u00e1tica na safra 2024\/25<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Longaretti, a Regi\u00e3o Sul do pa\u00eds vem registrando uma press\u00e3o de ferrugem asi\u00e1tica abaixo da m\u00e9dia, comparado \u00e0s \u00faltimas safras. \u201cTemos at\u00e9 agora, de forma geral, um estresse h\u00eddrico que vem afetando essa regi\u00e3o e contribuindo para que a doen\u00e7a n\u00e3o avance\u201d, menciona.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em contrapartida, as condi\u00e7\u00f5es h\u00eddricas para a cultura da soja t\u00eam sido adequadas na maior parte das regi\u00f5es Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. E apesar do registro de algumas ocorr\u00eancias da doen\u00e7a nesses locais, ela n\u00e3o tem gerado problemas relevantes, de forma geral at\u00e9 o momento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPrincipalmente em regi\u00f5es em que a ferrugem asi\u00e1tica n\u00e3o tem aparecido com intensidade nos \u00faltimos anos, \u00e9 muito importante deixar claro para o agricultor que ele precisa continuar levando a doen\u00e7a a s\u00e9rio, respeitando o vazio sanit\u00e1rio e as demais estrat\u00e9gias de manejo\u201d, pontua Carregal.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diagnosticada no Brasil em 2001, a ferrugem asi\u00e1tica, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, \u00e9 considerada a doen\u00e7a foliar mais importante da soja no pa\u00eds. De acordo com o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), o potencial de dano da doen\u00e7a varia entre 10% a 90% da produ\u00e7\u00e3o. Segundo o agr\u00f4nomo e mestre em fitopatologia, Lu\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":611,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-610","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manejo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/610\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donmario.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}